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Satya: viva a verdade, e se liberte!

Dando continuidade ao nosso estudo sobre o Asthanga Yoga de Patanjali, ou seja, os oito membros que nos conduzem a libertação, vamos conversar um pouco sobre o segundo elemento de Yamas, o primeiro destes oito membro que estamos estudando. Após estudarmos Ahimsa, não violência, vamos debater um pouco sobre Satya, ou seja, a Verdade.

 

Quando falamos sobre “verdade”, é sempre importante lembrarmos os caminhos de grandes mestre, e suas palavras. Escolhemos, então, o mestre Jesus Cristo, considerado por muitos como um dos maiores mestres de Yoga que já residiram neste planeta. Ele nos deixou uma mensagem muito valiosa a esse respeito: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32).

 

 

Satya aparece no sutra 30 do segundo capítulo (Sádhana-pádah - o meio) da obra de Patanjali,  como um dos cinco Yamas,  ou seja, um dos 5 elementos éticos que devemos para o controle de nossos instintos naturais. Satya Trata-se de uma qualidade moral mais abrangente que a simples veracidade, um compromisso com a verdade. A professora Glória Arieira, em sua obra “O Yoga que conduz a plenitude - Os Yoga Sutras de Patanjali” nos diz que:

 

“(...) o que for dito deve estar de acordo com a verdade tal qual percebida pela pessoa e que também seja benéfico ao outro, dito de forma agradável, sem criar ondas de reação na mente do ouvinte”.

 

O professor I.K. Taimni, em sua obra “A Ciência do Yoga” complementa:

 

Satya significa evitar rigorosamente todos os exageros, equívocos, fingimentos e faltas semelhantes, implícitos no dizer ou fazer coisas que não estão de acordo com o que se conhece por verdade”.

 

Mas por que a verdade é algo fundamental para a Yoga?


Segundo o dicionário Michaellis, a mentira  o ato ou efeito que se opõe à verdade, que ilude. Alguém que pratica uma inverdade está agindo para esconder alguma coisa, está em fuga de analisar as consequências de suas ações, sentimentos ou personalidade, querendo demonstrar ser algo que não é. Não há maturidade e contentamento. Em outras palavras, há medo! Mas a mentira não se trata apenas palavras ditas em um momento, e que ficam isoladas no passado, sem qualquer nova relação. Não há como dizer: "Ufa! Me livrei, tudo será feliz daqui pra frente, nunca mais pensarei nisso, ninguém nunca mais falará nisso"... Toda ação gera consequências. A inverdade cria, invariavelmente, uma rede de complicações que perturbam nossas mente. E isso vai na contramão com o grande objetivo da Yoga: aquietarmos a mente, pois a turbulência mental é a razão primária de nosso sofrimento.

 

Por piores que seja assumir um erro e enfrentar as consequências de nossas ações, pior ainda é assumir os desdobramentos gerados pela inverdade. Uma série de novas dificuldades e novas mentiras são necessárias para sustentar a original. E piores são os danos na mente daquele que esconde a verdade. I.K. Taimni ressalta que grandes esforços são despendidos para manter a falsidade, o que prepara o terreno para todos os tipos de perturbações emocionais, que muitas vezes nem são entendidas em seu contexto. Somos assim obrigados a criar detalhes de uma realidade inexistente que deve ganhar novos capítulos constantemente. O medo de ser descobertos não abandona os pensamentos. Assim, cedo ou tarde, ou a mentira é descoberta ou morremos com esse medo. Em qualquer uma das hipóteses, sofreremos de alguma maneira

 

O caminho do praticante de Yoga deve ser o da Verdade! Se queremos nos livrar do sofrimento e encontrarmos nossa Paz, precisamos entender que a verdade em nossos interior, ou seja, o esforço para pensarmos a Verdade, gerará discernimentos na análise dos fatos, guiando assim nossas palavras e ações para o Bem Maior. Criamos assim, um novo hábito, de agirmos de maneira corajosa (Coragem = agir com o coração) baseado em uma intuição de agirmos para o bem: não há outra forma de resolver qualquer situação que não seja aplicando a verdade. Qualquer meio mentiroso nos aprisiona. A verdade é o norte, nossa orientação para ações saudáveis.

 

Por fim, lembramos que qualquer um que busque atingir sintonia com a Perfeição da Criação, que busque a percepção da Verdadeira Realidade, que busque Paz Universal, que busque a dissolver-se em Deus... precisa compreender que a verdade é único o caminho, e é também uma forma não violenta de agir com os demais elementos que convivem conosco nesta jornada. Conhecer a Verdade que Cristo e tantos outros mestres nos ensinaram é agir como Eles. Se queremos conhecer a pureza do “Reino de Deus, que está dentro de nós”, como Jesus nos ensinou (Lucas 17.20:21), precisamos remover as impurezas ilusórias que envolvem tal Reino, revelando-nos como um reflexo perfeito da Perfeição Infinita, que agem altruisticamente pela felicidade de todos os seres que convivem conosco.
 


Namastê

 

 

 

 

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11/07/2018

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